SEREI EU UM DIA DESCARTÁVEL TAMBÉM?

Fazer tipologia sempre foi uma tentação da razão. Afinal, nós não conseguimos viver se não colocarmos o mundo dentro de categorias, classificando todos as coisas que vemos diante de nós. Não vou resistir a essa tentação e vou também fazer classificações. O homem contemporâneo é tão curioso que classificar seus diferentes aspectos em determinados tipos gerais pode ser um agradável exercício do pensamento.

Sabemos que vivemos uma vida dupla, embora frequentemente não nos agrade saber disso. Um de nós vive como um Adão expulso do paraíso: cumprindo seus deveres, acordando cedo, suando para ganhar seu dinheirinho, aguentando chefes irritados, parceiros queixosos, etc… etc… etc… Outro de nós continua vivendo no paraíso em sua fantasia, o que não quer absolutamente dizer que essa vida não seja real, ela é tão real como a outra, para muitos a verdadeira vida. Essas fantasias tem muitas maneiras sutis de inserirem-se na vida concreta. Nossa sociedade atual, dominada pelo consumo e pela escandalosa oferta de bens, tornou-se especialista em fornecer meios de concretizar fantasias sem corromper seu estatuto de fantasias. E isso acabou gerando identificações à padrões aos quais as pessoas aderem para sentirem-se pertencentes e usufrutuárias do que há de mais moderno e atual na sociedade. Fora disso não há felicidade !!!

Vamos começar por um desses tipos gerais, o homem descartável e procurar a fantasia que nele se realiza.

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